terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Words are only words, even so...





At the end of every single day I live, it really seems to me that words are only words and music says more than  words and something else probably says more than music. Words are too simple and yet too controversial to be responsible for meanings and meanings change through time, although many words don´t.  I do like words but I feel I mean more  and I hear more than what words say, most of the time.

Ao final de cada dia que eu vivo, me parece mesmo que as palavras são só palavras e a música diz mais do que as palavras e alguma outra coisa provavelmente diz mais do que a música. As palavras são muito simples e ainda assim, muito controversas para carregarem  sentidos e os sentidos mudam com o tempo, embora muitas palavras não mudem. Eu gosto, sim, de palavras, mas eu sinto que digo mais e ouço mais do que elas dizem.


Even so..words are in between us, the beings on Earth, and we occasionally find good things in this space, which brings us together in a peaceful, hopeful, and cheerful way.

Mesmo assim....as palavras estão entre nós, os seres na Terra e, ocasionalmente, nós achamos coisas boas nesse espaço, o que nos coloca juntos de uma forma pacífica, esperançosa e alegre.

For the beginning of a new year in our Gregorian calendar, this blog offers a famous prayer called "Serenity prayer" , or part of it, which was originally written in English and has versions in Portuguese, Spanish, French and German. All you have to do to see them is to go to the pages of foreign languages here.

Para o começo de um novo ano no nosso calendário gregoriano, este blog oferece a famosa oração chamada "Oração da serenidade", ou uma parte dela. Ela foi originalmente escrita em inglês e tem versões em português, espanhol, francês e alemão. Tudo o que você tem que fazer para ve-las é ir as páginas de línguas estrangeiras aqui.



The earliest known version of the prayer, from 1937, has been found in a Christian student newsletter ("The Intercollegian and Far Horizons"), which claimed to reprint the prayer from an earlier edition of the newsletter, and attributes the prayer to Reinhold Niebuhr, whose photo you can see above.


A versão mais antiga dessa oração, de 1937, foi achada em um jornal estudantil cristão (The Intercollegian and Far Horizons), que diz estar publicando a oração pela segunda vez, tirada de uma edição anterior do mesmo jornal. A autoria da oração é atribuída a Reinhold Niebuhr, cuja foto vocês podem ver acima.


Reinhold Niebuhr was an American theologian born in Missouri in 1892. His parents were German immigrants. One of this famous sayings is:

Reinhold Niebuhr foi um teólogo norte-americano nascido no estado de Missouri em 1892. Seus pais eram imigrantes alemães. Uma de suas famosas frases é:


"Man´s capacity for justice makes democracy possible; but man´s inclination to injustice makes democracy necessary".

"A capacidade de justiça do homem torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária."


It´s up to you now to agree or disagree with him as it´s up to you to appreciate or not the versions of "Serenity prayer".

É com você agora concordar ou discordar dele, assim como é com você apreciar ou não as versões de "Oração da Serenidade".


All the best/ Tudo de bom,
M.J.
10 of January, 2012.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Christmas / Natal

Christmas is around the corner and, even for those who complain about it or for those who say it is just another consumerism time, Christmas is indeed on the corner.

People come to this world and leave it one day, people make friends, make love, make money and even make war. People come and go....but Christmas is here again, as it was before and, who knows, it will be again for the next generations.

December 25th may be a good reason for shops to sell more and for people to worry about money, lines at the supermarkets and the roads packed with cars. It is also a moment for children to start daydreaming about the latest kinds of hiper modern objects they have seen on television and internet.

Christmas can be all of this and even more.

You may even have a different faith and not celebrate Christmas. No problems...Christmas in on the corner anyway and you are already listening about it.

What would you like your Christmas to be like?

Make your choice and live it.

A moment to cherish your beloved ones?
A silent and peaceful moment?
A party time?
A day to give a hand to someone in need?
None of the above?
All of the above at once?

Take the opportunity and, while many people are following the flow, follow the flow of your heart, carve for the best moments you have kept in there and make December 25th what it is meant to be, a day of joy and love, deep inside your heart. I guess that, very soon, your heart will spread these feelings around and you´ll be a precious presence in someone´s day.


For this occasion you´ll be able to read the lyrics and listen to the Portuguese, English, Spanish, French and Chinese Mandarin versions of the song "Silent Night", which is originally German, besides the German song itself (on the page In Goethe´s language). Did you know that "Silent night" has versions in 45 languages?

Merry Christmas!

O Natal está aí, mesmo para aqueles que reclamam, ou para aqueles que dizem ser o natal apenas uma época de consumismo, o natal está aí.

As pessoas vem a este mundo e vão embora dele, fazem amigos, fazem amor, fazem dinheiro, fazem até guerra. As pessoas vem e vão... mas o natal está aqui de novo, como esteve antes e, quem sabe, estará aqui para as próximas gerações.

O dia 25 de dezembro pode ser uma boa razão para as lojas venderem mais e para as pessoas se preocuparem com dinheiro, com as filas nos supermercados e com as estradas cheias de carros. A data também é um momento para as crianças começarem a sonhar com os últimos lançamentos dos mais modernos objetos na televisão e na internet.


O natal pode ser tudo isso e mais ainda.

Você pode até ter uma fé diferente e não comemorar o natal. Sem problemas, o natal está aí de todo jeito e você já está ouvindo falar dele.

Como você gostaria que seu natal fosse?

Faça sua escolha e viva seu natal.

Um momento para demonstrar carinho pelos que você ama?
Um momento de paz e sossego?
Uma festa?
Um dia para ajudar alguém que precisa?

Nenhuma das anteriores?
Todas as anteriores de uma única vez?


Aproveite a oportunidade e, enquanto muita gente está seguindo o fluxo, siga o fluxo do seu coração, busque os melhores momentos que você tem dentro dele e faça o dia 25 de dezembro ser o que deve ser, um dia de alegria e amor, dentro do seu coração. Acho que, bem rápido, seu coração vai espalhar esses sentimentos e você será uma presença preciosa no dia de alguém.

Para esta ocasião, você poderá ler a letra e ouvir a música "Noite Feliz", que é originalmente alemã, nas versões em português, inglês, espanhol, francês e Mandarim, além da própria letra e música alemã (na página In Goethe´s language). Você sabia que há versões dessa música em 45 línguas?

Feliz Natal!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

"Forevis Young"



Li no jornal, dia desses, que em um dos episódios de "Tapas e beijos” (corrigi pois li no jornal do último domingo o nome do seriado) um seriado brasileiro exibido na tv comercial, uma das personagens centrais, ao desejar ter a frase “forever young” tatuada em seu corpo, acabaria sendo tatuada com “forevis young”, por conta de um problema de visão do tatuador. Infelizmente eu não tive a oportunidade de assistir ao episódio, mas a nota de jornal já me valeu o riso.


“Forevis Young” é o avesso do avesso do avesso. Tal qual uma camisa que é dobrada pelo avesso, onde bem se pode ver toda a costura, onde o bolso sobre o peito perde seu uso habitual (lugar comum) e passa a ser mais um detalhe interno que não tem a mesma serventia que antes, apenas deixando mais visível e mais declarado o avesso da camisa. Mas, a camisa ainda serve para cobrir, descobrindo a si mesma e causando graça, estranhamento, desconforto ou relaxamento. A camisa vestida pelo avesso, é “forevis young”.



Quem pode usá-la assim? Só mesmo quem sabe o que é uma camisa e para o que ela serve e sabe, igualmente, o que ela representaria em um mundo onde ela fosse destituída de sua habitual representação oficial, na ironia de ser usada pelo avesso.

A graça é fruto do contrário de seu uso que, mesmo sendo contrário, ainda serve ao mesmo fim, como se a graça perguntasse: afinal, para o que serve uma camisa?


Quem tem menos de 25 anos talvez não se lembre ou nem mesmo tenha ouvido falar do músico, humorista e comediante Antonio Carlos Bernardes Gomes, de nome artístico Mussum, carioca nascido em 7 de abril de 1941 e falecido em 29 de julho de 1994.  Mussum fez parte do grupo “Os Trapalhões”, liderado por Renato Aragão. Quem o viu na televisão, pode recordar-se de que ele colocava uma terminação “is” ou “évis”em quase tudo o que falava. Palavras como “forévis”, “pobremis”, eram comuns na voz do Mussum. No contexto daquele personagem, o “is” e o “évis” traziam uma significação a mais às palavras, tornando-as as palavras do mundo, no mundo do Mussum, carregando elas próprias o mundo que ele representava.


O mundo do Mussum é uma verdadeira crônica de um subúrbio carioca da época, onde um descendente afro, bem humorado e piadista vive sua limitada possibilidade econômica e social ao lado de seus amigos, driblando as dificuldades com uma mistura de malandragem e inocência, do estereótipo brasileiro.


No youtube há vários momentos do Mussum, você pode vê-lo falando com “is” e “évis” no final das palavras. Pois bem, voltemos ao seriado... aí a moça tem um “forevis young” tatuado!!! Quer dizer que ela, que iria carregar com ar de vanguarda, um “forever young”, agora vai ser o Mussum de saias? Quem falaria “forevis young” afinal?



Genial! A problemática criada com a tatuagem ‘forevis young’ atesta a existência do “forevis”, como uma palavra que diz “forever” e ainda diz mais! E quem pode dizê-la? Só quem sabe o que é “forever” e para o que ela serve e sabe, igualmente, o que ela pode representar em um mundo de onde ela não vem, onde ela pode ser destituída de sua representação oficial.

A graça é fruto da nova autoria de seu uso que, mesmo sendo de nova autoria ainda serve ao mesmo fim, como se a graça perguntasse: afinal, para o que serve uma palavra?

“Forevis” não é “forever”, apenas a utiliza como ‘gancho’ e, contendo seu sentido literal, não carrega sua significação no discurso, porque diz além do sentido literal, marcando o falante no seu contexto próprio e tornando evidente o reflexo impossível do “forever” em um “forevis” e o espelhamento torto de quem fala o primeiro em quem fala o segundo e vice-versa. 

“Forevis” pode ser “forever” mas  mudado, adaptado, distorcido e recriado, na ironia do poder que se dá as línguas, deixando clara a dependência delas de suas culturas e contextos. “Forevis” é a tradução “Mussum-brasileira” de “forever”. “Forevis” não é possível em nenhum outro lugar, além do mundo do Mussum, microcosmo de um contexto carioca específico, onde nós como brasileiros também participamos, cariocas ou não.


A brincadeira do “Forevis Young” devolve, por instantes, a cada palavra, sua verdadeira natureza vazia, onde tudo pode caber. “Forevis” comprova o sentido de cada enunciado apenas como enunciação. É bem possível que, a cada vez que “forevis” seja enunciado, exista mais construção de sentido do que a cada vez que “forever” seja enunciado.


Essa brincadeira ainda deixa clara a impossibilidade de significação exata e imediata de uma mesma palavra em culturas e contextos diferentes. Como produzir a mesma construção de sentido de "forevis" com uma tradução de "forever" ou uma explicação de "forevis" a um não falante do português do Brasil? O efeito de sentido se perde, não cabe nas explicações, seria preciso algo na outra cultura que tivesse sentido similar, para dar a idéia ao interlocutor. O sentido de "forevis" é dependente de sua enunciação no contexto brasileiro, que remete a outras enunciações. Até mesmo a questão do tempo se coloca na problemática, pois o “forevis young” pode não soar o mesmo para diferentes gerações brasileiras.


“Forevis young” é ótimo de se ouvir, na fronteira entre os idiomas, onde se pode sentir o vácuo entre nós e as palavras e entre nós, através das palavras ou, do verbo. Felizmente, ao mesmo tempo, é ótimo pois nos faz sentir a extensa gama de possibilidades entre nós e as palavras e entre nós, através das palavras ou, do verbo.  


sábado, 26 de novembro de 2011

Ensinar/ Aprender uma língua & Ser falante nativo de uma língua

O título tem um "&" e não um "X", ok? Eu sinto que esse assunto está bem representado pelo "&" já que não se trata de oposição aqui, mas de paralelismos. Duas ações paralelas mas que não são iguais. Elas correm por caminhos distintos, pois tem naturezas distintas.

É muito natural que alunos, pessoas necessitadas em aprender um idioma qualquer ignorem quão diferente são essas duas ações., afinal eu também ignoro a maior parte das ações de outras profissões, é humano.

 Eu estou muito acostumada a ouvir muitas pessoas referirem-se a essas duas ações como se elas pudessem ser uma só. Aviso aos navegantes: tudo indica que elas não são.



Então, vou tentar de forma breve e simples (vou tentar..), expor aqui algumas diferenças básicas entre essas duas ações, neste espaço que se pretende, como eu já disse antes, uma conversa informal com você, que aqui vem nos visitar e, quem sabe, participar.

Considerar as duas ações como uma parece ser, geralmente, resultado de três crenças muito comuns:

1- partir do pressuposto de que todo e qualquer falante de uma língua qualquer, consequentemente todo ser humano criado na sociedade e não abandonado no mato (veja o filme alemão sobre Kaspar Hauser), pode ensinar outra pessoa falante de outro idioma a falar a sua  própria língua, de forma profissional e com didática.

Sinto muito, parece que não há essa correlação automática.

E você acha que eu vou dizer que o falante nativo de uma língua não pode ensiná-la a um falante de outro idioma? Errou...eu nem sonharia em dizer isso. É possível que isso aconteça, sim, pois muitas vezes esse falante é um professor nato, uma pessoa que nasceu com aquele perfil, com o "dedo para a coisa", sabe? Alguém que, naturalmente, percebe as sutilezas, os contornos, os becos e quebradas da língua e enxerga a sua língua como apenas uma, entre outras, fazendo até comparações e colocando-se no lugar do outro, por instantes. Além disso, há pessoas que são aprendizes natos de línguas estrangeiras, à revelia de serem ensinadas ou não.



2- partir do pressuposto de que todo e qualquer professor de uma língua estrangeira qualquer, bem como toda pessoa que estudou uma língua estrangeira formalmente, deve tornar-se ou ter se tornado um falante dessa língua exatamente igual a um falante nativo "ideal" dela.

Sinto muito, essa correlação automática parece não existir também e, suspeito bastante, no caso desse pressuposto, não haver essa correlação, simplesmente.

E você acha que eu vou dizer que o professor ou um falante estrangeiro nunca falará tão bem quanto um falante nativo? Errou....eu não poderia nem desejaria fazer tal afirmação. Isso pode acontecer e mais: o professor ou muitas vezes simplesmente um falante estrangeiro, pode ter um vocabulário até mais rico em determinado assunto do que um falante nativo.

Mas, algo que realmente importa nesse pressuposto: o professor ou apenas um falante que é proficiente em um idioma estrangeiro não será um falante nativo, salvo raríssimas exceções (acredito), pois há vários outros aspectos que impedem essa correlação e, ao mesmo tempo, o tornam um excelente modelo de falante estrangeiro. Ser um falante estrangeiro proficiente não depende de quanto tempo essa pessoa tenha vivido em um país falante da língua em questão, isso depende, na verdade, de quanto ele tenha estudado essa língua formal e informalmente, prestando atenção, arriscando, pesquisando, e esse quanto refere-se a:  tempo e intensidade (entregar-se ao objeto de estudo, formal e informalmente).

E, pergunte-se: você precisa desejar ser um falante nativo para falar uma língua? 

Se achar que é preciso, qual será o modelo de falante nativo que você buscará? Você quer falar como um espanhol, mas não como um argentino? Você quer falar como um britânico, mas não como um americano? E, se isso fosse possível, qual seria o sotaque ideal que o faria soar como um espanhol? E de qual região da Espanha você quer imitar à risca o sotaque? E qual é o sotaque britânico que você persegue? Exatamente de que região? Mais próxima da Escócia? Ou talvez mais ao sul do Reino Unido? Você gostaria de falar como alguém mais jovem, que usa gírias que nem mesmo o próprio tio conhece ou alguém mais conservador, que usa poucas gírias mas muito jargão do mundo financeiro, por exemplo? Você gostaria de conhecer os palavrões que os torcedores do Barça berram? Ou você quer mesmo é falar como o José Carreras dando uma entrevista?

E, quando você estiver soando tal e qual um desses falantes "ideais", o que você fará na interação com os outros falantes que, porventura, não falarem como você?

Ah, se você desejar o "standard" ou "padrão", saiba que há controvérsias sobre esse "padrão" já que ele muda, como mudam todas as línguas.....

3- partir do pressuposto de que todo estudo de uma língua qualquer, quando da alfabetização de um cidadão, é igual ao estudo dessa mesma língua em um curso universitário e igual a entender essa língua sob um prisma de "língua entre outras línguas".

Sinto muito, alfabetização na língua mãe é, realmente, diferente de estudo acadêmico sobre essa língua, onde começa e ser entendida a questão da língua mãe entre outras línguas.

O letramento em uma língua não é estudo sobre ela e não é preparo para ensiná-la, é apenas letramento, o que já não é pouco.



O resultado dessas diferenças que, bem explicadas e analisadas, podem ser encontradas nas bibliotecas universitárias onde se faz pesquisa, em calhamaços esperando por apaixonados pela questão para sorver seu conteúdo, são também fontes de calorosas discussões onde mil e um detalhes importantes, advindos de uma centena de teorias de aquisição e aprendizado de lingua se completam e se opõem.

Quem quiser investigar mais e melhor a questão, pode procurar títulos nas bibliografias dos cursos de letras, em boas universidades (disponíveis nos sites das instituições) e prestar atenção nos "modos" de falar e nas facilidades e dificuldades de expressão humana pela palavra, nos mitos e nas verdades que se ouvem por aí, no dia a dia, no burburinho das cidades, onde as pessoas interagem verbalmente.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Rebimboca da parafuseta

Apareceu em uma manchete na internet, nesses artigos com, provavelmente, fins publicitários:

"Inglês técnico torna-se diferencial".

Não precisei de meio segundo para achar a manchete divertida e rir, antes mesmo de ler a "matéria", provavelmente, preciso dizer de novo, paga.

Até bem pouco tempo, ouvíamos sobre a importância do "business English" que, para bom entendedor, não existe. Agora é o "inglês técnico".

Você, meu amigo ou amiga, falante nativo do português, sabe  "business Portuguese"? E, por acaso, você conhece o "português técnico"?

Vamos lá, vou dar meu próprio depoimento. Minha dentista me explicou sobre um problema na "distal", um amigo cabeleireiro mencionou o "visagismo" e um aluno muito simpático me fez entender que eu deveria trocar a "correia dentada" do meu carro, o que eu fiz e fiquei-lhe muito grata.

Minha mãe, sempre cuidadosa com reformas da casa, desenrolou por 1 hora a estória dos problemas da "calha", a utilização da "manilha" na época em que ela e meu pai tiveram a casa construída e a necessidade atual da "manta" na laje.

Olhando o jornal no domingo (jornal de papel, desse tipo antigo que ainda existe, com folhas grandes, difíceis de serem viradas, que sujam as mão da gente e depois são ótimas para nosso amigo que late), eu dei uma olhadinha em um artigo no final de página, com o título "Brasil em clima de recessão", onde se lia, entre outras coisas difíceis:

"Duas notícias neste fim de semana: uma boa, a agência de risco S&P, elevou a nota de crédito do Brasil, e outra ruim, o índice de atividade do BC, no terceiro trimestre, que antecipa o PIB oficial, foi negativo, e a economia decresceu 0,32%. O mais grave é que a notícia ruim é muito pior do que a boa. Ela diz que a economia brasileira deu o primeiro passo para entrar na tal 'recessão técnica', medida por dois trimestres negativos.."

Eu só entendi o que eles falaram depois de perguntar o que eram aquelas "coisas" ditas e, com bom humor e paciência, ou nem tanto (mamãe às vezes é brava), eles me deram exemplos, desenharam, fizeram gestos e rimos todos (eu só não ri no caso da "distal"). O texto do jornal ainda permanece uma incógnita para mim, eu confesso que tenho apenas uma idéia geral e discutível do que o autor, Alberto Tamer, quis dizer.

Bem, acho que, se medirmos meu conhecimento do idioma português por esses exemplos que eu vivi de verdade, a conclusão seria de que eu não sei português, não sei português técnico e não sei "business Portuguese", ou seja, não tenho língua mãe.

Você já ouviu falar nisso, orfã de língua?

Eu seria reprovada, não é?

Vou procurar um curso de "português técnico", "business Portuguese" e também de "português geral" aquele que a gente usa para falar com a família e amigos. Preciso achar um curso urgente!

Preciso dizer mais?

Onde a língua se insere sem contexto, só haverá desentendimento ou então, tudo se resolve por outro meio de expressão.

Fui.

Have a nice day!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sensação de incompletude na língua estrangeira (English text below)

Muitos alunos sentem-se desconfortáveis pois incompletos na língua estrangeira, por mais que estudem, por mais que leiam, ouçam, escrevam e falem essa língua, tendo até viagens ao exterior na bagagem, eles sentem que a língua estrangeira é impossível de "veicular" todos os sentidos que eles, acreditam, "veiculam"na língua materna.

Há uma espécie de descrença na língua estrangeira, como se ela fosse sempre uma língua estranha em oposição a língua materna, que lhes parece sempre conhecida.

Há uma imagem de "colo" na língua materna, como se alí tudo fosse possível, todas as dores e todos as alegrias fossem completamente significadas. Essa imagem, uma vez acreditada, torna o seu oposto crível. É uma relação dialética: o escuro e o claro, o sim e o não.

Pois bem, a língua materna não é capaz de "significar" tudo de nós e tudo para nós, ela não é completamente nossa e também não é completa. Há muitas perspectivas através das quais poderíamos dizer que a língua materna, no nosso caso o português do Brasil, é estranha aos brasileiros também.

Tome-se o exemplo dos vários sons que os sotaques nos trazem ou ainda a variedade de vocabulário e expressões regionais, neste país que é um continente monilíngue. Indo além, chegamos na questão do nosso psiquismo que comporta muito mais percepções do que a língua, seja ela materna ou estrangeira, pode significar.

São tantas e tão variadas as perspectivas que elas nem cabem neste espaço, que se pretende uma conversa informal com você, aprendiz da língua estrangeira.

Abrindo esta janela para um novo entendimento, podemos compreender que a língua estrangeira não nos é totalmente impossível, apenas nos parece mais distante do que a língua mãe.

E, aposto que muitos vão concordar comigo, quantas vezes não nos surpreendemos ao preferir dizer algo em uma língua estrangeira em lugar da materna, por uma sensação de que aquilo que queremos dizer "soa" melhor na outra língua?

Pois é, entre nós e o verbo, seja materno ou estrangeiro, há um constante movimento de aproximação e distanciamento que nega a existência de qualquer completude entre o falante e a língua que o diz.


English text below.

SENSATION OF INCOMPLETENESS IN THE FOREIGN LANGUAGE


Many students feel uncomfortable because incomplete in a foreign language. No matter how much they study, read, write, speak  and listen to the language and even having already been abroad, they still feel the foreign language is impossible to convey all the meanings that, according to their belief,  they are able to convey in the mother tongue.

There is a kind of disbelief in the foreign language, as if it were always a strange language in opposition to the mother tongue, which always seems to be well known by them.


There is an image of “being carried in someone´s arms” in the mother tongue, as if everything were possible, all the pain and gain were completely conveyed  through it. This image, once created and nurtured, makes its opposite believable. It´s a dialectic relation: darkness and light, yes and no.


Well, the mother tongue can not convey everything from us and everything to us, it is not completely ours and it is not complete, either. There are many perspectives through which one could say our mother tongue, in our case Brazilian Portuguese, is weird to us, Brazilians, too.

Take the example of the several sounds that the different accents bring us or even the variety of vocabulary and  regional expressions, in this huge monolingual continent called Brazil. Going further, we get to the psychological aspects where there are more perceptions than any language, whatever it may be, can convey.

Perspectives….they are so many and so different regarding this subject that they do not even fit this text, which is supposed to be an informal conversation with you, foreign language learner.

Opening the eyes to this view, we can understand the foreign language is not totally impossible to us, it only seems to be further than our mother language is from us.

Yet, I bet many of you will agree with me, don´t we get surprised, quite often, when we prefer to say something in a foreign language rather than in our mother tongue? We usually do that simply because what we want to say sounds “better” in the other language, don´t we?


Yes...between us and the verb, may it be our first or foreign language, there is a constant movement of closeness and distance which denies the existence of any completeness between the speaker and the language through which the speaker is told.




terça-feira, 8 de novembro de 2011

Língua estrangeira



Língua materna é aquela em que falamos, ouvimos e somos falados desde pequeninos, não é? Pois bem, há quem seja falado, ouvido e fale em mais de uma língua desde bebê, esses são os bilíngues ou trilíngues...e aí cabe um belo entendimento que sugere um curso com Marcello Marcelino, grande mestre na área.

E a língua estrangeira? O que é?
Como o próprio nome dela nos diz, ela é estrangeira ou, o "estrangeiro", através do qual nós desejamos ou precisamos falar, ouvir e sermos falados.

Então, a língua estrangeira é o estrangeiro nas línguas e, por isso, ela é diferente da materna, daquela em que fomos nomeados na família, na rua, no quintal do vizinho, na escola, na casa onde a gente cresceu. Ela não é a língua das nossas piadas na escola, nem das colas que fizemos para as provas, nem das broncas que levamos ou das estórias que escutamos dos nossos pais e avós.

Para quem nasceu e cresceu em uma única língua, a língua estrangeira é ainda mais estranha, pois carrega toda a diferença do 'ser diferente' daquilo tudo que já se ouviu. Os bilíngues ou trilíngues estão mais acostumados com o 'diferente' nos ouvidos, nas bocas, nas letras.

A língua estrangeira tem um gosto de estranho que pode ser sal ou açúcar, pimenta ou mel, tudo depende do que é o estrangeiro/estranho para você, que a deseja entender e possuir, como se sua ela fosse.

E aí você pensa...se eu já tenho uma língua, será fácil ter mais uma, mesmo que seja essa a 'diferente'. E aí começa seu namoro com ela. Alguns brigam, reatam, juram não mais voltar, mas tentam de novo, outros namoram, casam e ficam tão juntinhos a vida toda que não dá nem para acreditar.

Alguns sentem-se tão confortáveis com ela que juram que sentem-na como a própria língua mãe, outros são menos próximos, mas não menos apaixonados. Há, também, aqueles que a detestam no primeiro encontro, mas depois vão disspando as más impressões. Há, ainda, aqueles que dizem não entende-la jamais e decidem abandoná-la, sendo abandonados por ela, também.

Quantas estrangeirices o falante pode cometer na língua do outro? E quanto ele pode dizer nessa língua estranha entre tudo aquilo que ele acredita que diz na sua língua mãe?